Corações Abertos

Retorno aos Jasc 30 anos depois

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Por Antonio Prado

Cabelos grisalhos, óculos estilo ‘fundo de garrafa’, o blumenauense aposentado (ex-bancário) Wanderley Navarro, 63 anos, está sentado em um banco de plástico a orientar seus atletas na tarde desta sexta-feira (14) no segundo dia do tênis de mesa. Competição: Jogos Abertos de Santa Catarina (Jasc). Local: Colégio Bom Jesus, Caçador. Para o senso comum, em uma primeira visão, o ‘tio’ em questão é o treinador. E é. Mais que isso, é também atleta.

Um atleta especial, diga-se de passagem, pois entre os 132 competidores é o mais velho mesatenista: 63 anos. A idade, porém, não foi capaz de frear seu crescente amor pelo tênis de mesa. Essa constatação pôde ser medida com sua volta aos Jasc como atleta 30 anos depois.

“Comecei a praticar a modalidade aos 14 anos, a mesma idade em que participei dos meus primeiros Jogos Abertos, isso 1969, em Joinville. Perdemos todas as partidas, mas durante minhas 20 participações em Jasc já disputei por Blumenau, São Bento do Sul, Itajaí e Joinville”, recorda.

Melhor desempenho: a prata em 1972

Ao mesmo tempo em que passa a limpo suas lembranças, Wanderlei destaca que seu melhor desempenho em Jasc foi uma medalha de prata em 1972, em Itajaí, uma época em que se jogava apenas por equipe. Depois ainda foi bronze em 1973, em São Bento do Sul. Mas, em seguida é traído pela mente ao não lembrar qual ano foi campeão estadual: “Acho que foi em 1982”, arrisca.

Se essa incerteza lhe causa desconforto, o mesmo não se pode dizer da certeza em admitir que o tênis de mesa praticado hoje tem um nível muito melhor. “Antigamente tinha poucos praticantes. Depois vieram atletas e técnicos contratados e a modalidade evoluiu. Hoje temos aqui jogadores de altíssimo nível que fazem parte da seleção brasileira”, constata.

E para acompanhar os mais novos, Wanderley diz que treina cerca de duas horas três vezes por semana. “Faço exercício que muito garoto aqui não faz”, gaba-se para em seguida emendar: “Estou em excelente forma”.

“Missão cumprida”

Essa condição, no entanto, não serviu para superar as equipes mais fortes, mas ele considera a missão cumprida e o objetivo alcançado. “Viemos para Caçador com objetivo de passar da primeira fase e conseguimos. Fechamos a etapa inicial com duas vitórias e uma derrota e iniciamos a segunda fase com uma derrota, mas está tudo bem, levando em consideração que Blumenau não tinha time”, contenta-se ele, autor de duas vitórias.

Lembra também que para estar em Caçador, fazendo o que gosta, teve que passar pela peneira de uma seletiva. E foi bem, ficando em segundo lugar na classificação.

Agora, segundo Wanderley, o próximo passo é erguer a modalidade no município, pois este, aliás, é um dos objetivos de voltar competir pelos Jasc. E ele mostra o caminho: contratar um técnico, conseguir um local adequado para treino e ter apoio da Fundação de Desporto de Blumenau.

 

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